Compartilhar por e-mail
Seu nome:
Seu e-mail:
E-mail destinatário:
Enviar
18Ago2017

Mês de agosto traz seu recado de mudanças

Lembro-me bem. Foi quando julho se foi, que um vento mais gelado, mais destemperado, que arrastava ainda folhas deixadas pelo outono, me disse algumas verdades. Convenceu-me de que o céu começaria a apresentar metamorfoses avermelhadas. Que a poeira levantada por ele daria lições de que as coisas nem sempre ficam no mesmo lugar e que é preciso aceitar que a poeira só assenta depois que os redemoinhos se vão.

Foi quando julho se foi que a minha solidão me convidou para uma conversa. E me contou de tempo de esperas. E me disse que o barulho das árvores tinha algo a dizer sobre aceitação. E eu fiquei pensando como elas, as árvores, aceitam as estações que, se as estremecem, também lhes florescem os galhos. Mas tudo a seu tempo. Foi em agosto que descobri que os cachorros loucos são, na verdade, os uivos que não lançamos ao vento. São nossos estremecimentos particulares que a nossa rigidez de certezas não nos permite encarar.

O mês de agosto tem muito a ensinar. Porque agosto é mês jardineiro, é dentro dele, berço do inverno, que as sementes dormem. Aguardam seu tempo de brotar. Agosto é guardador da boa-nova, preparador de flores. Agosto é quando Deus deixa a natureza traduzir visivelmente o tempo das mutações.

Mude, diz agosto, em seu recado de sementes. Aceite, diz agosto, com seu jeito frio de vento que levanta poeira e a faz avermelhar o céu. Compartilhe, diz agosto. Agasalhos, sopas quentinhas, cafés com chocolate, abraços mais apertados – eles também aquecem a alma e aninham o corpo. Distribua mais afetos, que inverno é acolhimento, é tempo de preparar setembro. E, de setembro, todos sabemos o que esperar. Esperamos a arrebentação das cores, que com seus mais variados nomes vêm em forma de flores.

Vamos apreciar agosto, recebê-lo com o espanto feliz de quem não desafia ventos. Que ele desarrume e espalhe suas folhas e levante suas poeiras.

Aceite as esperas, mas coloque floreiras na janela.

Só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera!

Miryan Lucy de Rezende - Escritora e Educadora Infantil

 

 

A vida pode ser comparada a uma viagem de trem.

Quando nascemos, entramos no trem da vida, momento que nos vestimos com uma roupa especial, chamada de corpo, para que possamos nos relacionar com os outros passageiros dentro do trem.

Na mesma estação que o trem recebe novos passageiros, outros passageiros descem do trem, terminando assim sua viagem no trem da vida.

O trem é composto por vários vagões, onde  cada vagão possui passageiros que irão se relacionar com os novos passageiros e em cada vagão uma série de aprendizados nos são passados. Assim, existe o vagão da família, dos relacionamentos da escola, de nossos relacionamentos. de amizade, relacionamentos afetivos, etc.

Entretanto, para a mudança entre os vagões, processos de morte e vida também ocorrem (ex: morte de um paradigma ou crença).

Durante o nosso percurso pelos vagões, carregamos duas malas, uma onde acumulamos aquilo que já fizemos e na outra mala, acumulamos tudo aquilo que ainda deixamos por fazer.

Há passageiros que insistem em permanecer no mesmo vagão por todo o percurso da viagem, outros apenas permanecem na janela, observando a paisagem, onde se recusam a se relacionar com outros passageiros ou mudar de lugar no vagão.

Entretanto, a viagem no trem tem um tempo determinado. Para alguns é rápida, para outros é bastante demorada, sempre de acordo com as necessidades do aprendizado. Quando menos esperamos, somos chamados para sair do trem. Muitos se esquecem da necessidade do aprendizado e muitos se apegam aos passageiros e aos bens lá adquiridos.

Na estação, entretanto, os passageiros que lá desceram observam atentamente a mala das ações não executadas e às vezes, lamentam ao perceber que esta mala ainda está cheia e pouco aproveitaram de sua permanência no trem da vida terrena.

Entretanto, a necessidade do aprendizado e da viagem não termina.  E quando menos esperam, o condutor do trem os chama para embarcar novamente, com a finalidade de recuperar os ensinamentos não aprendidos na viagem anterior ou aumentar a carga de aprendizados.

Muitos esquecem que a verdadeira morada é na estação de trem e não na viagem de trem, ao ponto de acharem que o tem é a única realidade de suas existências.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Compartilhe:
Comentários
Outras sugestões para a sua leitura
A aceitação da sombra
04Set2018

A aceitação da sombra

Se nós não convivermos com a nossa sombra somos caolhos, vemos com um olho só, ...

Compartilhe:
Mulheres em Círculo
14Mar2018

Círculos são para nós, mulheres, que ao abrir um espaço na cultura ocidental de orientação masculina nos ...

Compartilhe:
Perdão e qualidade de vida
28Jan2018

A palavra utilizada para perdoar ou absorver em Aramaico é Cancelar.

 Linguagem utilizada na época ...

Compartilhe:
Magali Bergamo 2015 - Todos os direitos reservados
Criação de sites Vinhedo, Valinhos, Campinas