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04Set2018

A aceitação da sombra

A aceitação da sombra

Se nós não convivermos com a nossa sombra somos caolhos, vemos com um olho só, somos divididos, não incorporamos nossa outra metade e acabamos sendo cruéis e sem piedade para com os outros , e conosco. Sendo duros, cobradores e torturadores. Porque só buscamos a luz, o brilho, a virtude, quando a santidade não é unilateral. Não é como uma flecha que vai direto ao alvo. É como um circulo onde se integra tudo, a partir de um núcleo profundo que vai se criando, que vai atraindo os anjos, bons e ruins.

Leonardo Boff  no livro Terapeutas do Deserto em conjunto com Jean Ives Leloup  resgata o que temos muita dificuldade de falar, perceber e vivenciar. Uma parte em nós que não gostamos, e não mostramos muito, ocultamos e que nos escapa muitas vezes em atos falhos que nos denuncia e mostra uma realidade que tentamos ocultar. Na nossa ingenuidade ou infantilidade de alma, nos iludimos muitas vezes nesta dinâmica, e conforme nos alerta os autores sobre  esta condição de sermos adultos humana e espiritualmente, e de assimilarmos essa dimensão diabólica junto com a dimensão simbólica. Pertence ao processo de individuação, de personalização a incorporação de ambos os lados neste caminho da vida.

Assim, quanto mais nos afastamos de quem realmente somos. Quanto mais nos afastamos de nossa luz e de nossa sombra principalmente, podemos  viver num limbo, afastados do nosso processo de crescimento e estarmos vivendo uma fantasia, uma ilusão e a consequente sensação de falta de chão, de propósito, onde vários desequilíbrios e desenganos podem surgir. Podemos  ser mais, podemos  escolher melhor,   e nas escolhas buscarmos encarar e viver a verdade de que somos, a inteireza de quem somos,  e muitas vezes  esta verdade, este reconhecimento desagrada expectativas do externo, que pode ser a sociedade, pessoas, ou nós mesmos.

 Ser fiel aquilo que é, do jeito que é. Encarar e acolher o que tem em seu interior, com coragem e simplicidade. E quando assim nos abrimos ao que realmente somos, quando damos esta oportunidade a nós mesmos, no inicio pode parecer estranho, desconfortável, mas  a abertura ao novo pode  abrir  portas  e a verdade traz um fluxo natural e saudável que vem no fluir e magia da vida e do viver. Ganhamos um norte, um  centro que nos conduz e direciona a partir de nossa verdade, e integração de todas nossas partes, nossa sombra e nossa luz.

 Jean Ives Leloup, em  O Evangelho de Tomé, lembra uma das mensagens deixada por Jesus  que convida ao homem a desenvolver  uma atitude meditativa  diante do que é,uma atitude não dual, não raciocinante, sem projeção ou julgamento. Trata-se de ver simplesmente.

Os mestres do Taoismo na China mostram o monge sábio que chegou à sua plenitude, em cima de um leão bravio, conduzindo o com uma vareta. A explicação que dão é que o leão é o proprio bonzo, é o proprio monge. Ele domesticou a virulência do leão de tal maneira que, com um toque de varreta, o conduz par onde quer. Ele é o leão, leão domesticado. Ele não tirou a virulência do leão, não cerrou seus dentes, não fez exercicios espirituais para que o leão não devorasse as ovelhas, porque é da sua natureza ser o que ele é. Mas ele integrou sua força de forma benfazeja.

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